quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Palavras de Huxley...
Nem o socialismo, nem o comunismo, nem o capitalismo; nem a arte, a ciência, a ordem pública, nenhuma religião ou Igreja. Tudo isso é indispensável, mas nada disso é bastante. A civilização exige do indivíduo uma auto-identificação devotada às mais elevadas causas da humanidade. Mas, se essa auto-identificação com o que é humano não for acompanhada por um esforço consciente e congruente, visando a atingir a autotranscendência ascendente no sentido da vida universal do Espírito, os bens alcançados estarão sempre misturados a males que os contrabalançam.
Aldous Huxley
Retirado de "Os demônios de Loudun", p. 328-329 (Apêndice)
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Autotranscendência
[...]
Sabemos de maneira vaga quem somos. Daí advém nosso desgosto em ter que parecer o que não somos e o ardente desejo de ultrapassar os limites desse eu aprisionado. A única autotranscendência libertadora se dá pelo autruísmo e pela entrega total à inspiração [...]. Contudo, a autotranscendência libertadora é mais fácil de explicar do que de atingir. Para aqueles que se encontram intimidados pelas dificuldades do caminho ascendente, existem outras alternativas menos árduas. A autotranscendência não é, de modo algum, invariavelmente dirigida para cima. Na verdade, na maioria dos casos é uma fuga, ou em sentido descendente, para um estágio inferior da personalidade, ou mesmo horizontalmente, para algo mais amplo que o ego, e no entanto, não mais elevado, não diferente em essência. Estamos eternamente tentando mitigar os efeitos da Queda coletiva na personalidade isolada, por outra queda, estritamente pessoal, no embrutecimento ou na loucura, ou por algum tipo de evasão na arte ou na ciência, na política, em um hobby ou em um emprego. É desnecessário dizer que esses sucedâneos para a autotranscêndencia, essas fugas para substitutos da Graça, subumanos ou tão-somente humanos, são, na melhor das hipóteses, insatisfatórios, e na pior, desastrosos.
Aldous Huxley
Retirado de "Os demônios de Loudun", p. 78
Sabemos de maneira vaga quem somos. Daí advém nosso desgosto em ter que parecer o que não somos e o ardente desejo de ultrapassar os limites desse eu aprisionado. A única autotranscendência libertadora se dá pelo autruísmo e pela entrega total à inspiração [...]. Contudo, a autotranscendência libertadora é mais fácil de explicar do que de atingir. Para aqueles que se encontram intimidados pelas dificuldades do caminho ascendente, existem outras alternativas menos árduas. A autotranscendência não é, de modo algum, invariavelmente dirigida para cima. Na verdade, na maioria dos casos é uma fuga, ou em sentido descendente, para um estágio inferior da personalidade, ou mesmo horizontalmente, para algo mais amplo que o ego, e no entanto, não mais elevado, não diferente em essência. Estamos eternamente tentando mitigar os efeitos da Queda coletiva na personalidade isolada, por outra queda, estritamente pessoal, no embrutecimento ou na loucura, ou por algum tipo de evasão na arte ou na ciência, na política, em um hobby ou em um emprego. É desnecessário dizer que esses sucedâneos para a autotranscêndencia, essas fugas para substitutos da Graça, subumanos ou tão-somente humanos, são, na melhor das hipóteses, insatisfatórios, e na pior, desastrosos.
Aldous Huxley
Retirado de "Os demônios de Loudun", p. 78
sábado, 6 de novembro de 2010
Soneto da Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Morais
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Morais
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Canto de Amor
A minha dor se desfaz quando canto
Por isso não derramo pranto
O que sei é somente cantar
Toda tristeza que mora em meu peito
Me agita e me dá o direito
De sorrir pra não chorar
O dia-a-dia com seu desafio
O tempo que passa vadio
O amor que se faz sem amor
O desencanto do tudo por nada
A vida seguindo marcada
De saudade e dissabor
É por isso que eu canto, amor
É por isso que eu canto, amor
Tanto faz eu quero é viver
O meu sofrer vai se acabar
Talvez um dia
Uma alegria
Todo esse mal apagará
Délcio Carvalho / Barbosa da Silva
Por isso não derramo pranto
O que sei é somente cantar
Toda tristeza que mora em meu peito
Me agita e me dá o direito
De sorrir pra não chorar
O dia-a-dia com seu desafio
O tempo que passa vadio
O amor que se faz sem amor
O desencanto do tudo por nada
A vida seguindo marcada
De saudade e dissabor
É por isso que eu canto, amor
É por isso que eu canto, amor
Tanto faz eu quero é viver
O meu sofrer vai se acabar
Talvez um dia
Uma alegria
Todo esse mal apagará
Délcio Carvalho / Barbosa da Silva
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A escolha
E pensar que um dia eu escolhi você
pra dividir a existência,
as poucas alegrias
e a febre que eu sentia.
Me perdi na sua busca por respostas
p'ras perguntas que você nunca vez.
pra dividir a existência,
as poucas alegrias
e a febre que eu sentia.
Me perdi na sua busca por respostas
p'ras perguntas que você nunca vez.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Noções
Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera...
Cecília Meireles
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera...
Cecília Meireles
Assinar:
Postagens (Atom)